O Pará superou a marca de 11,7 mil focos de incêndio neste mês de outubro, o maior número já registrado para o mês desde o início das medições do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998 — um recorde em 29 anos de série histórica.
Segundo pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o fenômeno climático El Niño intensificou a seca na região e elevou o risco de propagação do fogo, que avança com mais facilidade pela floresta e por áreas de assentamento e propriedades rurais.
Em Vitória do Xingu, no sudoeste paraense, cerca de 500 hectares de duas fazendas foram destruídos pelas chamas, e os bombeiros levaram mais de sete horas para combater o fogo em uma das frentes. Em Santarém, no oeste do estado, a prefeitura decretou situação de emergência ambiental por causa da baixa qualidade do ar e do número de queimadas, proibindo o uso do fogo para limpeza e manejo de terras.
A área mais afetada é o assentamento Chapadão, entre Uruará e Santarém. Na região, a Polícia Militar localizou nesta semana áreas de exploração ilegal de madeira e de queimadas criminosas, sem encontrar os responsáveis no momento da fiscalização.
O Corpo de Bombeiros atua em onze áreas prioritárias do estado. Em outra frente, Ibama e ICMBio montaram uma sala de crise para coordenar o trabalho de quase 300 brigadistas no oeste do Pará, mas parte das aeronaves de combate chegou a ficar parada porque a fumaça prejudica a visibilidade dos pilotos. As causas dos incêndios estão sendo apuradas.
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a criação de um comitê de crise para enfrentar os incêndios no estado, após o mês ultrapassar 11 mil focos de queimadas.
Fonte: G1 (Foto: Jornal Nacional/Reprodução)
