O Partido Democrata conquistou, nas eleições legislativas dos Estados Unidos, a maioria no Senado e na Câmara, tomando cadeiras historicamente republicanas e mudando o equilíbrio de forças na segunda metade do mandato de Donald Trump. Nos bastidores, integrantes do governo Lula comemoraram o resultado e avaliam que Trump terá dificuldade para seguir com a política externa atual, incluindo a imposição de tarifas.
O Brasil não deve se manifestar oficialmente — não é praxe diplomática se pronunciar sobre eleições de outro país, e a linha adotada é de pragmatismo. Em reserva, um diplomata brasileiro classificou o resultado como “um 7 a 1” e afirmou que os piores cenários para Trump se confirmaram.
A expectativa do Planalto é que os democratas tenham força para abrir investigações sobre ações do governo Trump, o que forçaria mais cautela na política tarifária e externa. Um integrante do governo que acompanha as negociações com o escritório comercial americano (USTR) afirmou que técnicos do órgão já resistem a avalizar tarifas consideradas intempestivas e devem resistir ainda mais.
Parlamentares democratas foram eleitos defendendo investigação sobre operações americanas na América Latina. Outro tema que pode ser impactado é a regulação das big techs: a coalizão pró-regulação interessa ao Planalto, que tenta avançar com o tema no Brasil. Auxiliares de Lula preveem Trump voltado às questões internas nos próximos meses, enquanto o Brasil observa os próximos dias para calibrar a estratégia na relação bilateral.
Fonte: G1 (Foto: Reuters)
