A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) a Operação Azzardo, contra casas de apostas (bets) que operam sem autorização federal. São 50 mandados de busca e apreensão — 24 no DF e 26 em outros estados — cumpridos por cerca de 200 policiais civis do DF e de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Não há mandados de prisão nesta fase.
A Justiça determinou o bloqueio de contas e ativos até o limite global de R$ 3,483 bilhões, de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, em instituições supervisionadas pelo Banco Central e pela CVM — o valor é o teto autorizado, e não quantia já apreendida. Também foram suspensas as inscrições no CNPJ e os registros em juntas comerciais de 100 empresas e empresários individuais, afastados os sigilos bancário e fiscal de investigados e proibida a abertura de novas contas pelos alvos por 90 dias.
A investigação, coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), começou há cerca de cinco meses, a partir de comunicações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificou bets sem autorização. Segundo a polícia, os pagamentos via Pix e QR Code não iam para empresas de jogos, mas para dezenas de empresas de fachada abertas em nome de “laranjas”, que recebiam, concentravam e redistribuíam os valores, inclusive com conversão em criptomoedas. A movimentação analisada do esquema é de aproximadamente R$ 739 milhões.
As empresas de fachada foram abertas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia, no DF — nos endereços, os policiais encontraram imóveis vazios e estabelecimentos sem relação com apostas; em um único lote em Ceilândia, dez empresas declaravam o mesmo telefone. A apuração alcança ainda uma fintech paulista autorizada pelo Banco Central, cujas contas eram usadas por empresas do esquema, com movimentação de cerca de R$ 1 bilhão, e três empresas com autorizações de loterias estaduais, restritas a territórios específicos, que não cobriam os sites investigados. Os crimes investigados são lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade documental. O material apreendido, como computadores e carteiras de criptomoedas, passará por perícia.
Fonte: CNN Brasil (Foto: Reprodução/PCDF)
